A Grande Família

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Sinopse


O cotidiano de uma família de classe média-baixa brasileira, mostrado com muito bom-humor.

Lineu da Silva é veterinário, casado com Nenê, uma esposa dedicada e competente. Um ótimo marido, Lineu é politicamente correto e muito certinho, por isso algumas pessoas o consideram um "mala". Ele sustenta os dois filhos, Bebel e Tuco, o genro Agostinho e ainda abriga o sogro, seu Flor, que dorme no sofá da sala.

Bebel, a filha do casal, puxou a beleza da mãe e a forte personalidade do pai. Agostinho é seu marido. Quando os dois se casaram, disseram a Lineu que ele ganharia um filho... O que ele não sabia, no entanto, é que era a pura verdade! Depois de passar um tempo "enganando" como garçon de motel, Agostinho resolveu mudar de vida! O carro de Lineu virou um táxi, e o genro, taxista.

E assim, aos trancos, vai vivendo essa grande família Silva - entre as armações de Agostinho, os chiliques de Bebel, a ironia de Seu Flor e os sermões de Lineu.

Questões sociais como desemprego, falta de dinheiro e corrupção, são enfocados. O mais importante, porém, é mostrar o dia-a-dia de uma família que vive mergulhada na luta pela sobrevivência, mas que tem jogo de cintura para superar as dificuldades e permanecer unida.

Elenco

MARCO NANINI - Lineu
MARIETA SEVERO - Nenê
ROGÉRIO CARDOSO - Seu Flor
LÚCIO MAURO FILHO - Tuco
GUTA STRASSER - Bebel
PEDRO CARDOSO - Agostinho
MARCOS OLIVEIRA - Beiçola (Abelardo) / Dona Etelvina
ANDRÉA BELTRÃO - Marilda
EVANDRO MESQUITA
TONICO PEREIRA - Mendonça
NATÁLIA LAGE - Gina
FRANCISCO MILANI - Tio Juvenal
SUELY FRANCO - Juva
ANA ROSA - Genoveva
MÁRCIA MANFREDINI - Abigail

Abertura



Bastidores

Remake da mesma série produzida pela Globo entre 1972 e 1975.

Quando foi dado início ao texto de "A Grande Família", em 2001, tinha-se em mãos os originais de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianninha (1936-1974), para a primeira versão do programa. A ideia era adaptar 12 textos, mas a equipe produziu roteiros inéditos e ganhou espaço fixo na Globo.

As críticas políticas do texto da primeira versão estavam ausentes nesse remake. Por isso o personagem do jovem contestador Júnior, interpretado por Osmar Prado na década de 70, não foi reproduzido na nova versão.

Os problemas da família foram atualizados e inseridos numa nova realidade, mais próxima do telespectador. O personagem Tuco (Luiz Armando Queiróz nos anos 70), que era um hippie e pregava a paz e o amor, agora se tornou um funkeiro. Lineu tornou-se um homem mais bondoso, Agostinho ficou mais cínico, e Bebel, mais ativa, mais participativa.

No saldo de todos os experimentos que a Globo realizou em 2002, considerando a instabilidade de horários provocada por Copa e eleições na programação, "A Grande Família" se deu muito bem. O programa passou dos textos de Vianinha a roteiros inéditos com louvor: conquistou um horário mais decente, uma platéia eclética - agrada a conservadores e modernetes - e, melhor de tudo, o aval da direção da Globo para continuar no ar. E em sua décima temporada (em 2010) já é o seriado mais longevo da história da TV Globo.

O tom "correto, mas não reacionário", como definiu o roteirista Marcelo Gonçalves, sustenta-se na "pretensão de falar para todo mundo". O programa sempre esteve entre as maiores audiências da Globo.

"A Grande Família" bateu seu recorde de audiência no dia 4 de novembro de 2004. O seriado marcou média de 45 pontos com 64% dos televisores sintonizados. A única vez que a atração registrou esse índice foi em 24 de julho de 2003, quando foi exibida uma homenagem ao ator Rogério Cardoso.

"O humor não deve ser finalidade, mas ferramenta. Não temos piadas, o que temos são situações engraçadas", disse Bernardo Guilherme, um dos roteiristas.
Segundo o diretor-geral, Maurício Farias, "há, na verdade, um grande controle de temas (...) Não tem humor preconceituoso, apelativo. Dificilmente se faz piada com 'a' gostosa ou 'o' pária. O humor passa pelo cotidiano da classe média baixa", avalia Farias.

"A Grande Família" foi eleita pela Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA) o melhor humorístico de 2002.

Pedro Cardoso (o Agostinho desta segunda versão) havia participado de um especial em 1987 que mostrava o paradeiro da família 12 anos depois. Neste episódio ele viveu um estudante de teatro por quem Bebel se apaixona após deixar o marido Agostinho.

Para a caracterização de sua personagem (Dona Nenê), Marieta Severo, que havia encarnado uma personagem rica pouco tempo antes - a Alma de Laços de Família -, e chegou a gravar simultaneamente para as duas produções, precisou sofrer uma mudança radical: enrolar os cabelos. A atriz ficou tão diferente, que, na primeira prova de figurino, chegou a ser confundida pela equipe de produção.

Em abril 2003, com a estréia da nova temporada do programa, o elenco de "A Grande Família" passou a contar com a participação fixa de Andréa Beltrão, vivendo a cabelereira Marilda, amiga de Nenê.

A personagem de Andréa Beltrão saiu de cena em 2010. Marilda viajou e, de longe, manda uma carta para Dona Nenê anunciando que conseguiu o que sempre quis: casar-se. E com um milionário. E não volta mais para casa.
"Foi um pedido dela, para que faça as coisas que quer fazer, dentro da televisão e fora dela", disse o diretor Maurício Farias, marido da atriz.

A sitcom estreou nas noites de quinta-feira, após o programa jornalístico Linha Direta. Não faltava quem argumentasse que os programas deveriam trocar de lugar: por ser um policial, de conteúdo mais violento, parecia óbvio que o Linha Direta entrasse no ar mais tarde, após o humorístico, mas isso só ocorreu depois que "A Grande Família", por ter sido "empurrada" para as noites de quarta, em razão das mudanças promovidas durante a Copa, experimentou a faixa das 22 horas. Atestado o bom efeito do horário, o programa voltou para as quintas quando o mundial acabou, mas então às 22 horas mesmo, na vaga que antes cabia ao Linha Direta.

Para ambientar os atores no universo dos personagens, uma pesquisa de campo foi encomendada à antropóloga e assistente de direção Patrícia Guimarães. Baseada em alguns dados de institutos de pesquisa cariocas, ela selecionou uma gama de bairros que se encaixassem no perfil desejado: uma região da periferia nem favelizada demais, nem muito semelhante às áreas emergentes da cidade. Dessa seleção, pinçou o bairro de Realengo e mergulhou na realidade sócio-cultural de seus moradores.
"Há um etos próprio em relação ao meio urbano que é heterogêneo mesmo entre as áreas periféricas. Eu precisava encontrar uma região análoga à COHAB paulista onde morava a família da primeira versão", explicou Patrícia.

A casa desta família está em algum lugar do subúrbio carioca. Tem 120 m2, três quartos, um banheiro, uma cozinha com copa integrada, uma varanda e uma garagem para abrigar a Belina 1972 de Lineu. O cenário fixo, montado no Teatro Fênix, exigiu do cenógrafo Keller Veiga algumas soluções técnicas para a passagem de câmeras. Assim, alguns armários são, na verdade, passagens. O fundo da pia da cozinha também é destacável para dar lugar ao equipamento de vídeo. O diretor Mauro Mendonça Filho pediu que a casa funcionasse de verdade, de modo a deixar os atores livres para possíveis improvisos.

O ator Rogério Cardoso, o Seu Flor, faleceu no dia 24 de julho de 2003, aos 66 anos de idade, vítima de um ataque cardíaco fulminante. No programa daquela noite foi reprisado o episódio O Velhinho Pocotó! em homenagem ao ator. O personagem também saiu da trama. Em agosto de 2005, foi a vez de Francisco Milani partir. Ele havia sido chamado para cobrir a ausência de Rogério Cardoso, mas aparecia esporadicamente no seriado, como Juvenal, o Tio Mala.

Episódios do programa foram lançados em DVD ao longo dos anos. Em 2010, a Som Livre lançou um DVD duplo com as melhores história do programa.

Em 2007 "A Grande Família" ganhou uma história para o cinema.

Em 2008, o ator Pedro Cardoso foi indicado ao Emmy (prêmio norte-americano, o "óscar" da televisão) de melhor ator por sua atuação como Agostinho na série.

Créditos

Globo - 23h e 22h15
estréia: 29 de março de 2001
criação de Marcos Freire, Oduvaldo Vianna Filho e Armando Costa
adaptação de Cláudio Paiva, Marcelo Gonçalves e Bernardo Guilherme
escrita por Adriana Falcão, Cláudio Paiva, Márcio Wilson, Nilton Braga, Marcelo Gonçalves, Péricles Barros, Max Mallmann, Bernardo Guilherme e Nelson Caldas
redação final de Cláudio Paiva, Bernardo Guilherme e Marcelo Gonçalves
direção de Mauro Mendonça Filho, Luíz Felipe Sá, Maurício Farias e Daniela Braga
direção geral de Roberto Farias e Maurício Farias
núcleo Guel Arraes

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